Mar 27, 2009
Nov 11, 2008
Como pode uma mão invisível esbofetear visivelmente?!
Os governos cortam as verbas para a educação e fomentam uma integração social, através do facilitamento da progressão escolar (será que o mercado irá reajustar esta futura mão-de-obra? - é triste ver como esta lógica económica já contaminou a educação, como se educa para esse fim subordinado ao mercado. [já agora será que devo escrever mercado com maiúscula? será que, deus meu, isso já se consubstâncializou metafísicamente numa entidade, qual Deus?! será que é inevitável?]). Os meninos tornam-se adultos e altamente deficientes na interpretação do mundo que os rodeia, formando um tecido social i/eminentemente aderente às opiniões gregárias e mediáticas. São alvo preferencial das campanhas agressivas, de pessoas muito polidas, que apelam ao consumo desenfreado. Então adquirem os créditos que os bancos dão ao desbarato para tudo e mais alguma coisa. Os meninos apercebem-se agora que o prazer que tiram dos bens adquiridos não compensa o desprazer que sentem agora da sua vida se reduzir à escravidão das dívidas (ou porque simplesmente se sentem enganados pela sua volubilidade, ou porque até para comer têm que pedir emprestado, ou porque culpam os outros, ou porque esgotaram a sua capacidade dos seus rendimentos...). Deixam de pagar os seus créditos. Os bancos nesta altura ficam com grandes activos pela quantidade de dinheiro que emprestaram e pelos juros que poderiam vir a amealhar, mas são na maior parte activos insolúveis. Ou seja, porque as dívidas deixaram de ser pagas não conseguem reaver o dinheiro emprestado sequer, quanto mais os juros. Penhoram os bens que restam ao devedor para tentarem reaver parte dos seus activos, mas quando a maior parte do mercado está neste estado, não há procura para esses bens (habitação principalmente), não se consegue vende-los para os transformar em dinheiro novamente; para além disso o valor monetário desses bens desce, e na maior parte dos casos abaixo do valor inicialmente emprestado.
[a resposta ao título, pois claro é uma resposta invisível, está nas entrelinhas dos dedos do texto]
Posted by H.CPA at 11:10
Mar 6, 2007
Versos para um poema da minha vida #2
Broken Social Scene, Swimmers, 2005.
Incontornável: se acordar tarde, nunca chegarei a tempo.
Posted by H.CPA at 13:18
Mar 3, 2007
Versos para um poema da minha vida #1
Os idiotas são quem vive mais perto do desejo.
Posted by H.CPA at 12:39
Feb 25, 2007
Intentos do diabo #7
— É mais fácil viver que suicidar.
Posted by H.CPA at 03:44
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Feb 23, 2007
Cinememória
P.S.: Não sou um fã de Scorsese. E há muito que já não tenho pachorra para histórias entre-cruzadas, forma gasta, como em Babel, que também não vi (não vale o dinheiro). Já fui ver As Cartas de Iwo Jima e apesar de ser um bom filme não é, de longe, aquilo que vimos em Million Dollar Baby; e realização por realização, história por história, prefiro O Resgate do Soldado Ryan.
Feb 17, 2007
Pequeno-almoço com...
Descobri há uns meses, depois de ter feito uma pesquisa acerca de Strawberry Switchblade (não perguntem de onde), de quem o AMG dizia semelhante a ARS. A diferença muito subtil está na decadência dos anos 80 de SS (cf. Since Yesterday) e a sofisticação de ARS — sempre desejei ser crítico só para poder usar a palavra 'sofisticação' mais vezes; e até tem ar de ser auto-lógica.
Ainda, para comprovar, The Disco Song, ARS, Verses of Comfort, Assurance & Salvation, 2006.
Posted by H.CPA at 04:48
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Feb 15, 2007
Pequeno-almoço com...
Joanna Newsom, Bridges and Balloons, 2004.
We sailed away on a winter's day
With fate as malleable as clay
But ships are fallible, I say
And the nautical, like all things, fades
Posted by H.CPA at 00:45
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Feb 10, 2007
Maré alta
Aproveitemos o fôlego e venha já de seguida o referendo à eutanásia.
Posted by H.CPA at 17:55
Feb 7, 2007
Luz de encontro ao "Nevoeiro"
Foto: "Nevoeiro", Carlos Teixeira Hoje, esperei estática até à invisibilidade, perdida no nevoeiro da lembrança vazia,
daquilo que sempre desejei. A ausência das memórias que não mais nascerão. A nudez
dos frutos que não se deram. Hoje, os últimos dias, os últimos outonos. Nem
um recostar, nem um abraço, ou a despedia de um olhar; nem uma brisa que
acenda o cheiro do viço que outrora deixaste.
Versos para um poema da minha vida ##
Às vezes gostava de me sentir como me sinto os outros: não os sentindo.
Posted by H.CPA at 00:14
Feb 4, 2007
Argumentos adaptados
Posted by H.CPA at 23:09
Dec 15, 2006
Questão
Vamos lá, Sr. Antunes [talvez lhe mude o nome; é muito polido, muito político; é um nome de contabilista, nada adequado a uma situação deste tipo] acalmar. Sente-se, respire fundo. E diga-me lá, afinal, o que é que quer que eu faça da sua vida?
Posted by H.CPA at 13:57
Dec 11, 2006
Nov 20, 2006
Dual memory sour
Posted by H.CPA at 04:24
Nov 8, 2006
Intentos do Diabo #5
— Não tenho ordens para mudar o mundo.
Posted by H.CPA at 13:14
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Nov 6, 2006
Intentos do Diabo #4 (possível tira de BD de um qualquer jornal)
— O analfabetismo é coisa do passado.
— De facto, sempre existe progresso em Portugal!!!
— Agora o que temos é a iliteracia.
Posted by H.CPA at 12:40
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Nov 4, 2006
Um sofisma e uma demagogia
Posted by H.CPA at 01:50
Nov 3, 2006
Pequeno-almoço com...
dEUS, Instant Street, 1999.
Posted by H.CPA at 13:32
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Oct 29, 2006
Ex-pretexto de uma piada esquecida
Pois é! O que se esquece é que a haver uma essência ela provavelmente se caracterizará, também, pelo carácter anti-natural do homem. A sua incessante mania de modificar a natureza, de criar ferramentas e instrumentos (talvez seja esta a sua única condição essencial ou ontológica). A prova seria da mesma graduação. Não que fossem tão válidas uma quanto a outra, mas tão-somente inválidas. Andar a pé presume-se que seja natural, mas andar de carro, embora anti-natural, não implica que seja, logo anti-essencial, muito menos na forma como acabei de explicitar.
Enfim, essas pessoas não devem estar tão preocupadas em tentar perceber o que é essencial ou o que é natural e agir de acordo com isso - à luz deste tipo de argumentos. O essencial seja o que for, é algo de imutável, id est, o que quer que se faça estará sempre em concordância com a essência. E se por acaso infringir aquilo que é natural, pois bem, o homem tem-no feito desde sempre - precisamente, talvez, por razão ontológica ou essencial. Por outro lado, se se for existencialista e se se achar que a existência precede a essência, sendo esta já algo de mutável, não há lugar sequer para a justificação, porque o que quer se se faça estará imediatamente decalcado na essência.
Pergunta: por que é que há a necessidade de se justificarem (suas acções) e de se justificarem segundo o que é essencial ou natural? Não há dúvida (resposta oblíqua) que essas palavras que acabei de referir se tornaram víveres da vacuidade mental. Palavras inflacionadamente caras, usadas facilmente por prestidigitadores da inépcia, que puxam e retorcem argumentos para servirem os seus caprichos; para não mudarem, para continuarem sujeitos passivos, não tomarem posição, a não ser a favor do que é e lhes é actual (cómodo), pactuando com as maiores torpezas em seu redor. São petrificamente dados cuja solidez se encontra no sempre tácito "porque sim".
Agora reparo que a recorrência persistente destes chavões dados e aparentemente inquestionáveis, não é senão um medo, horror infindo à mudança. Os hábitos (incluindo o pensamento) que adquirimos é o que nos define. Mudarmos significa não sermos mais aquilo que somos. O eu persistente e ortodoxo. São as circunstâncias exteriores que delimitam a fronteira do ínt-imo. Então, que quero eu dizer? Que esta resistência é natural (e não essencial). E como tudo o que é natural é tão volátil quanto aquilo que não é natural, mas poderia e pode vir a ser apenas com o exercício do hábito. A ortodoxia do eu seria assim um hábito enraizado, necessário seria, então, exercitar a heterodoxia. Mas deixemos de lado este último parágrafo, quebradiço e inconsiderado.
Posted by H.CPA at 03:54
Oct 7, 2006
Infância futura da maturidade precoce
Não interessa nunca ter lido Milan Kundera; não interessa saber se ele é pouco mais ou menos como Paulo Coelho; não interessa nunca ter lido nada de Paulo Coelho, à excepção de frases ridículas e ineptas pescadas fugazmente numa qualquer feira do livro; não interessa se a editora de Milan Kundera faz questão de sublinhar a sexta edição do livro, "uma obra-prima"; não interessa ter aprendido que qualquer livro que se diga uma obra-prima seja de facto um chasco (do castelhano chasco); não interessa se não ignoro tudo isto ou menos alguma coisa que eu não sei que desconheço; não interessa nada desta introdução, que é muito maior do que aquilo que tenho para dizer e por isso excepcional.
É claro que o que foi escrito anteriormente interessa, quanto mais não seja (mas não é) porque foi escrito, mas principalmente porque o meu capricho deixa de ser gratuito e surdo, como uma criança com birra.
Posted by H.CPA at 13:47
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Aug 9, 2006
Intentos do Diabo #3 (ambições)
Posted by H.CPA at 14:25
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Jul 18, 2006
Pequeno-almoço com...
Posted by H.CPA at 12:31
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Jul 17, 2006
Serôdio
Posted by H.CPA at 00:01
Jul 16, 2006
Intentos do Diabo #2
— Eu não preciso de ler assim tanto: eu vivo no campo.
Posted by H.CPA at 12:25
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Jul 12, 2006
Pequeno-almoço com...
Rooney, I'm Shakin, 2003.
Posted by H.CPA at 12:40
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Jul 9, 2006
Proémio
Posted by H.CPA at 12:34
Jul 8, 2006
Pequeno-almoço com
Lars Hollmer, Optimistbeat, 1983.
Posted by H.CPA at 12:50
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Jul 7, 2006
Impressive Google Godess
Posted by H.CPA at 03:05
Jul 6, 2006
Pequeno-almoço com...
Bob Dylan, Like a Rolling Stone, 1965.
Posted by H.CPA at 11:34
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Jul 5, 2006
Revisitações
LISBON REVISITED (1923)
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Posted by H.CPA at 03:16
Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja —
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta — até essa vida...
Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser, Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar? Ou somos todos os
Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo — Lisboa e Tejo e tudo —,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim —
Um bocado de ti e de mim!...
Posted by H.CPA at 03:15
Jul 3, 2006
Intentos do Diabo #1
Posted by H.CPA at 12:59
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